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UFRJ pode ficar sem limpeza caso MEC não libere verba esta semana

A reitora da universidade disse que hospitais e andamento das aulas poderão ser afetados. Professores, funcionários e alunos estão preocupados com funcionamento da universidade, que poderá se agravar até o fim do semestre.

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A reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciou nesta segunda-feira (9) que o corte de 44% na verba anual de custeio irá afetar o funcionamento dos hospitais universitários e comprometer inclusive as aulas. Denise Pires de Carvalho afirmou que se a situação não for revista, a UFRJ ficará sem limpeza ainda essa semana.

“Essa semana, nós já não teremos mais limpeza caso não haja liberação de verba do MEC. Veja que os contratos de limpeza não estão nessa lista porque eles não podem mais ser cortados. Deles depende o funcionamento dos hospitais e da universidade como um todo.”

A maior universidade federal do país pode se agravar até o final do segundo semestre de 2019. Alunos, professores e funcionários vivem um momento de tensão, como mostrou a imprensa.

“Para garantir um mínimo funcionamento da universidade, a gente precisa pagar as contas de luz, contas de água, pagar os terceirizados, para você manter os serviços de bandejão, enfim… tem diversas despesas obrigatórias, que não podem ser cortadas, porque senão a universidade para. E é isso que tá em risco. A gente está sem esse recurso mínimo para manter a universidade funcionando e isso é gravíssimo. Uma perda para nós que estamos aqui, dedicando a vida à universidade, nós, os técnicos, estudantes, mas pra sociedade como um todo”, diz Felipe Rosa, diretor da associação de docentes da UFRJ.

A verba de investimento sofre ainda mais redução, chegando a 86%. Esse dinheiro seria usado para compras de equipamentos e obras. Além das bolsas de estudo que garantem as condições de permanência na faculdade de muitos alunos, os professores da universidade dizem que os cortes colocam em risco as atividades de campo.

“Os cortes vão afetar não só os laboratórios que fazem as pesquisas, mas os trabalhos, que precisam de verbas para todo o seu funcionamento e os técnicos que dão suporte a tudo isso e que são comprometidos também com essa educação pública de qualidade, também vão ter o seu trabalho afetado. A gente sabe que esses cortes não vão parar, vão aumentar se esse governo que tem a educação como sua inimiga não mudar essa lógica e não eliminar, reverter esses cortes”, diz Joana de Angelis, diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ.

Em nota, o MEC afirmou que a UFRJ recebeu no dia 02 de setembro, última segunda-feira, mais R$ 22,4 milhões em limite de empenho. “De janeiro até 02/09, foram liberados R$ 209,6 milhões em limite, dos quais foram empenhados R$ 183,7 milhões, restando ainda à UFRJ R$25,9 milhões em orçamento disponível. As organizações públicas em um contexto de restrições devem adaptar a capacidade de seus recursos de acordo com a demanda, nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal”.

O MEC ressaltou ainda que faz o repasse dos recursos orçamentários às reitorias das Universidades e Institutos Federais e estes, com autonomia administrativa e de gestão orçamentária, aplicam os recursos.