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Atraso na manutenção do Guandu afeta abastecimento em 18 bairros e na Baixada; hospital suspende cirurgias

O fornecimento de água está prejudicado em boa parte da cidade do Rio nesta sexta-feira (25). Em pelo menos 18 bairros foi registrado problema de abastecimento devido a uma manutenção preventiva da Cedae no Sistema Guandu que deveria ter terminado às 20h de quinta-feira (24), mas só acabou às 4h esta sexta (25).

O problema afetou até o atendimento no Hospital Pedro Ernesto, que precisou suspender cirurgias e adiou internações.

Pelo menos 18 bairros do Rio foram afetados. São eles:

  • Vila Isabel;
  • Tijuca;
  • Grajaú;
  • Anchieta;
  • Água Santa;
  • Pavuna;
  • Campo Grande;
  • Sepetiba;
  • Ilha do Governador;
  • Santa Cruz;
  • Cascadura;
  • Jacarepaguá;
  • Cidade de Deus;
  • Senador Camará;
  • Ricardo de Albuquerque;
  • Coelho da Rocha;
  • Cachambi;
  • Oswaldo Cruz.

Também há registro de falta d’água em bairros de Belford Roxo e Nova Iguaçu.

Moradores de vários pontos do Rio e da Baixada Fluminense fizeram registros da falta de fornecimento. “São 11h e nada de água ainda no Cachambi”, reclamou uma moradora.

“Cadê a água da Cedae? Até agora nada. Estamos sem água em Oswaldo Cruz”, contou um morador, mostrando a torneira vazia.

No começo da manhã, a Cedae chegou a informar à equipe do Bom Dia Rio que parte do atraso teria sido causado pelo fato de que, na quinta, uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) teria determinado a coleta de informações sobre a crise da geosmina, no começo do ano, que provocou alterações do gosto e cor da água fornecida à população.

No fim da manhã, a Cedae informou que foi identificado um vazamento na Elevatória do Lameirão – conjunto de equipamentos que bombeia água para os municípios do Rio de Janeiro e de Nilópolis. E como as bombas ficam localizadas a 64 metros de profundidade, o reparo exige uma maior complexidade e o serviço precisa ser feito de forma gradativa, para evitar o comprometimento da estrutura.

Segundo a empresa, a previsão é que o sistema esteja com 50% da capacidade operacional em funcionamento até esta sexta.

Situação grave

Em entrevista ao jornalista Edimilson Ávila, o presidente da Cedae admitiu que a situação é grave. Ele afirmou que a manutenção do Guandu, apesar de ter atrasado, foi realizada. Mas, durante a manutenção, o problema na Elevatória do Lameirão foi descoberto.

O local é de difícil acesso. Segundo ele, de Bangu até a Zona Sul do Rio, considerada ponta de linha, o fornecimento deve ser mais afetado. Ele pede que a população economize água.

De acordo com o presidente da empresa, um levantamento está sendo feito em cada bairro para saber o número de pessoas afetadas.

Ainda não há previsão de quando o reparo ficará pronto.

Problemas no hospital

No Hospital Universitário Pedro Ernesto, vinculado à Uerj, cerca de 400 pessoas estão internadas e todas as equipes foram orientadas a economizar água, pois não há o suficiente no reservatório da unidade de saúde.

Em nota, a Cedae afirmou que montou um esquema especial para atender hospitais e outros serviços essenciais no período de falta de água.

Pacientes que aguardavam para a internação tiveram que voltar para casa.

“Estamos aqui desde 6h. Recebemos uma ligação ontem informando que ele seria internado às 7h. Chegamos bem cedo e por volta de 9h nos falaram que ele ia ser dispensado porque não tem água no hospital”, contou o filho de um paciente, que mora em Araruama, na Região dos Lagos.

A família ainda não sabe quando a cirurgia será remarcada. O paciente terá que fazer um novo teste de Covid-19 para ser internado para uma cirurgia.

O diretor do Pedro Ernesto, Ronaldo Damião, confirma que os profissionais do hospital sofrem com dificuldades causadas pelas baixas reservas de água.

“Estamos muito preocupados. A água da Cedae ainda não entrou no Hospital Universitário Pedro Ernesto. Está gotejando. Estamos com cerca de 400 pacientes internados e 50 cirurgias marcadas. Estamos entrando com as primeiras cirurgias. Se a água não entrar, poderá haver necessidade de suspender as outras cirurgias. Os banhos dos pacientes estão sendo retardados. Estamos fazendo uma economia muito grande para que o desastre não seja maior. Infelizmente, isso não é a primeira vez que acontece”, disse Ronaldo Damião.

Ronaldo Damião, diretor do Hospital Pedro Ernesto — Foto: Reprodução/TV Globo

Ronaldo Damião, diretor do Hospital Pedro Ernesto.

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