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Coronavírus: mineiros chegam em casa, depois de uma semana tentando sair de Cusco, no Peru

Depois de uma semana de angústia, dois mineiros que estavam em Cusco, no Peru, e não conseguiam voltar para o Brasil, embarcaram e chegaram em casa. O país decidiu fechar as fronteiras no dia 16 de março, por causa da pandemia do novo coronavírus. Os estudantes Henrique Quirino e Lucas Bicalho, de Belo Horizonte, chegaram domingo (22) à cidade, esgotados.

A saga para voltar teve o último capítulo na manhã de sábado (21), quando a Embaixada do Brasil divulgou uma lista com nomes de passageiros que embarcariam no voo da Latam para Guarulhos (SP).

Os brasileiros foram transportados pelo Exército até o aeroporto, onde uma fila enorme se formou. Lucas e Henrique contaram que, para diminuir a espera e acelerar o processo de embarque, a polícia levou os cães farejadores, que normalmente ficam no saguão de embarque, para a área externa.

Cão farejador na saída de brasileiros do Peru — Foto: Arquivo pessoal

Cão farejador na saída de brasileiros do Peru.

Megafone

Os nomes eram chamados um por um. Como a polícia não falava nem entendia português, Quirino, que fala espanhol, se ofereceu para ajudar. Com um megafone, chamou pelos nomes que estavam na lista. Segundo ele, o problema foi que a lista que lhe foi entregue tinha sido elaborada pela Latam e não coincidia com a da Embaixada. De acordo com Bicalho, a lista não tinha uma ordem, nem alfabética nem por grupos ou família, e as pessoas começaram a se desesperar.

“Chamava alguém da família, por exemplo, e não chamava o outro”, disse.

Numa segunda lista, estavam os nomes dos mineiros. Não foi fácil. Mas os mineiros conseguiram entrar. Ainda assim, muitos brasileiros ficaram de fora, segundo os estudantes, sem previsão para entrar no aeroporto.

Wesley Oliveira Bustamante, que não conseguiu embarcar, gravou um depoimento, e enviou para os estudantes. Ele disse que tinha o nome na lista e, mesmo depois de muita espera, não conseguiu sair de Cusco.

“Meu nome estava na lista da Embaixada, porém ficamos oito horas na fila e tivemos a notícia que não íamos embarcar. Foi uma farsa esse voo humanitário, pois apenas embarcaram passageiros clientes da Latam, sendo que nosso nome estava na lista. Nos foi passado pela Embaixada que a Latam não seguiu essa lista. Isso é uma falta de respeito com as pessoas que têm problemas, com câncer, problemas renais, que estavam na fila e não embarcaram”, contou.

Brasileiros em fila no Peru, esperando volta ao Brasil durante a pandemia do coronavírus — Foto: Arquivo pessoal

Brasileiros em fila no Peru, esperando volta ao Brasil durante a pandemia do coronavírus.

Escalas

Quirino e Bicalho voaram de Cusco para Lima, capital do Peru. Na pista, eles foram levados diretamente para o outro avião que sairia para o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, aonde chegaram na noite do sábado (21). Mas ainda havia outra espera pela frente.

Como o voo do Peru atrasou, eles perderam a conexão para Belo Horizonte. A empresa aérea providenciou um hotel para os dois. Na manhã do domingo (22), eles foram para outro aeroporto, o de Congonhas, na cidade de São Paulo, ansiosos para encontrar a família.

“Nós fomos sortudos. Tem outros brasileiros que estão ainda lá, presos, sem perspectiva de saída ainda. A gente sabe que vai ser difícil limitar o carinho, limitar os abraços. Mas, para a gente que voltou do exterior, a gente sabe que é o melhor para todo mundo”, desabafou Quirino.

Em casa

Audria Kelle Gontijo Rabelo, mãe do estudante Henrique Quirino — Foto: Arquivo pessoal

Audria Kelle Gontijo Rabelo, mãe do estudante Henrique Quirino.

Na manhã do domingo (22), Quirino e Lucas decolaram em Congonhas e pousaram em Belo Horizonte. Em casa, Quirino gravou um depoimento em que a mãe, Audria Kelle Gontijo Rabelo, falou sobre a angústia de acompanhar toda esse história de longe.

“Foi um período de muita tensão, muito estresse, impotência, porque não conseguimos fazer quase nada daqui”, disse Audria.

Essa história terminou bem. Mas as de muitos brasileiros espalhados pelo mundo, e que não conseguem voltar para o país, continuam sem um final previsto.

Ministério das Relações Exteriores e companhia aérea

Em nota, o Ministério das Relações Anteriores informou que 539 brasileiros ainda estão no Peru e que está trabalhando para ajudar no retorno de todos os que foram atingidos pelas restrições de movimentação ao redor do mundo. O ministério disse ainda que, por causa da situação excepcional, é impossível elaborar um cronograma preciso de voos e a recomendação é de que os brasileiros mantenham contato com as embaixadas nos países em que estão.

A Latam alegou que está em contato constante com as autoridades locais, mas não comentou sobre a reclamação a respeito de só embarcar clientes da empresa.

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