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Geadas atingem cana, café e laranja, diz especialista em clima

Geadas atingiram plantações de cana-de-açúcar, café e laranja na região centro-sul do Brasil nesta terça-feira, de acordo com um boletim da Rural Clima.

Marco Antonio dos Santos, que é sócio e diretor da consultoria de serviços meteorológicos, disse que recebeu vários vídeos mostrando geadas, mas pontuou que é muito cedo para determinar os danos causados às lavouras.

As temperaturas devem subir a partir de quarta-feira, à medida que uma frente fria se distancia, disse ele.

Corretores de café disseram que a geada foi mais forte do que a última, atingindo fazendas no estado de Minas Gerais, o maior produtor desta commodity.

Vaca com orelha congelada por conta de frio em propriedade rural em Patrocínio, Minas Gerais. — Foto: Clener Roberto Alves/ Arquivo Pessoal

Vaca com orelha congelada por conta de frio em propriedade rural em Patrocínio, Minas Gerais.

As geadas foram documentadas até ao sul de Goiás, no coração da produção agrícola nacional, disse Santos, referindo-se à região centro-oeste, onde as temperaturas médias tendem a ser mais elevadas do que no sul do Brasil.

Santos também previu que geadas “tão fortes” quanto as de terça-feira podem voltar no final do mês na região centro-sul, onde alguns agricultores ainda não terminaram de colher sua segunda safra de milho.

A partir de sábado, uma nova frente fria atingirá o Rio Grande do Sul, segundo Santos.

A expectativa é que esse sistema se desloque para o norte e traga chuvas para importantes regiões agrícolas, chegando até o estado de São Paulo, afirmou. Com a persistência das chuvas na primeira quinzena de agosto, as safras de inverno como o trigo no sul do Brasil serão beneficiadas, comentou.

Alface ficou congelada em plantão no Distrito de Jundiapeba em Mogi das Cruzes, São Paulo. — Foto: Maria Fernanda Vieira Faria/Arquivo Pessoal

Alface ficou congelada em plantão no Distrito de Jundiapeba em Mogi das Cruzes, São Paulo.

O Brasil, maior produtor mundial de soja, começará a plantar sua próxima safra da oleaginosa em setembro nos Estados do Centro-Oeste como Mato Grosso.

Até lá, o Brasil deverá ter retornado a um regime de chuvas “normal”, acrescentou Santos.

No primeiro semestre de 2021, os agricultores enfrentaram a pior seca em 91 anos, prejudicando parte de sua segunda safra de milho e reduzindo as perspectivas de exportação do Brasil.

Até o momento, os modelos indicam um padrão normal de chuvas para a segunda quinzena de setembro na região centro-oeste. Em outubro, no entanto, um curto período de seca deve ser causado por uma leve La Niña, observou Santos, referindo-se à mesma região.

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