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Homem que agrediu funcionária de padaria após pedido para usar máscara tem prisão preventiva decretada, diz delegado

O ajudante de motorista Márcio Roberto Rodrigues, suspeito de agredir a atendente Adriana da Silva após ser advertido para usar corretamente a máscara de proteção contra Covid-19, teve a prisão preventiva decretada. A informação foi confirmada à imprensa nesta terça-feira (20).

Segundo Pedro Luís Carvalho, delegado de Palmares Paulista (SP) responsável por investigar o caso, Márcio deve ficar preso até o julgamento ser realizado.

“Nós concluímos o inquérito, fizemos o indiciamento por tentativa de feminicídio e representamos pela prisão preventiva, que foi decretada pela Justiça”, afirmou o delegado à imprensa.

Com o indiciamento e conclusão do inquérito policial, o caso foi encaminhado ao Ministério Público. A reportagem entrou em contato com o MP para saber se o homem já foi denunciado, mas ainda aguarda retorno.

O crime aconteceu na tarde do último dia 11 de junho, no bairro Jardim União, em Palmares Paulista. Uma câmera de segurança flagrou o momento em que o suspeito ficou nervoso ao ser avisado sobre a obrigatoriedade de usar o acessório.

Márcio foi preso temporariamente seis dias depois, em uma clínica de reabilitação de Meridiano (SP), cidade localizada a 180 quilômetros de distância de Palmares Paulista. Em seguida, foi levado à delegacia e encaminhado à cadeia de Catanduva (SP), onde permanece à disposição da Justiça.

O ajudante de motorista negou as acusações durante depoimento à Polícia Civil. Em nota enviada na época em que a prisão foi realizada, a advogada de Márcio afirmou que o cliente estava profundamente arrependido e lamentava o ocorrido.

“Doze testemunhas confirmaram que a Adriana foi agredida. Mas, mesmo assim, o suspeito não assumiu. Ele alegou que a Adriana caiu sozinha e se machucou”, disse o delegado.

Versão do suspeito

Segundo o delegado, Márcio alegou que entrou na padaria para beber uma pinga e saiu. Porém, retornou ao estabelecimento para ingerir a segunda, momento em que foi advertido para usar a máscara de forma correta.

“O Márcio retrucou e perguntou o motivo de estar sendo advertido, porque outras pessoas também estavam sem máscara. Ele também disse que foi chamado de vagabundo, perdeu a cabeça e decidiu segurar a Adriana para olhá-la no olho e afirmar que não era vagabundo”, contou Pedro.

Em seguida, Márcio entrou em uma área da padaria reservada apenas para funcionários. Adriana, então, saiu correndo em direção à rua. Contudo, foi seguida pelo ajudante de motorista.

“Ele falou que realmente correu atrás, mas disse que a Adriana caiu sozinha e se machucou. Ele também afirmou que não tem nada contra a Adriana e que não quis matá-la”, contou o delegado.

Versão da vítima

De acordo com a Adriana, de 38 anos, Márcio entrou na padaria com a máscara embaixo do queixo, ficou nervoso depois de ser avisado sobre a obrigatoriedade usar o acessório de forma correta e deu um tapa em produtos que estavam sobre um balcão.

“Não satisfeito, ele deu a volta e entrou. Saí correndo e fiquei na frente da padaria. Ele me acompanhou e me deu uma rasteira. Tentei levantar, mas o homem chutou e quebrou meu braço”, afirmou Adriana.

Logo depois, a vítima conseguiu se levantar e correr para dentro de uma casa, que estava com o portão aberto, mas foi seguida novamente pelo agressor.

“O dono da casa pediu para sairmos. Consegui chegar a uma outra padaria. Encontrei o dono e a mulher na porta. Ele chegou e deu um soco no dono da padaria. Sentei na calçada. Ele veio e bateu minha cabeça no joelho dele”, relembrou a vítima.

Adriana foi acolhida por uma moradora, colocada para dentro de uma casa e levada ao pronto-socorro de Catanduva (SP), cidade a 20 minutos de distância de Palmares Paulista.

“Eu vi a morte. Lembrava da minha mãe, dos meus filhos, não acreditava que iria sobreviver. Tinha muita gente olhando, mas ninguém fazia nada. Olhei o sangue e pensei que morreria”, desabafou a atendente.

A atendente sofreu diversos cortes e hematomas, além de uma fratura no braço esquerdo. Ela precisou ser submetida a um procedimento cirúrgico e recebeu alta no dia 13 de junho.

“Estava trabalhando. Ele entrou no meu serviço e fez isso. Não sei por quanto tempo vou ficar nessa situação. Não é justo”, contou.

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