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Professor de Muay Thai indiciado por assédio sexual a ex-alunas é demitido de academia no Rio

O professor e lutador de Muay Thai Edson Souza foi demitido da academia onde trabalhava, na Tijuca, Zona Norte do Rio. O atleta foi indiciado pelos crimes de importunação e assédio sexual praticado contra quatro alunas entre os anos de 2015 e 2018.

Edson gravou um vídeo se defendendo:

“Em primeiro lugar, quero agradecer a toda comunidade das artes marciais, nesse momento tão importante, está sendo muito difícil pra mim lidar com tantas acusações injustas ao meu respeito”, disse Edson, por meio de mensagem enviada a amigos.

“Sou pai, sou padrasto, sempre respeitei minhas alunas, sempre respeitei as mulheres e espero que tudo isso seja resolvido na Justiça, da maneira certa, e nesse momento tô me afastando das minhas atividades até que o inquérito seja resolvido”, completou.

A defesa de Edson, que nega todas as acusações, já havia adiantado na quinta-feira (22) que ele iria se manter afastado das atividades profissionais até o fim do inquérito.

Novas denúncias e demissão

Depois que o caso veio a público, outras duas ex-alunas procuraram a polícia para dizer que passaram pelos mesmos constrangimentos. Uma deles mora em São Paulo. A outra vive na Europa.

A indicação dos policiais é que ambas registrem o caso. No entanto, como ambas moram fora do Rio, o procedimento pode ser feito pela internet.

O dono da academia Delfim, onde Edson trabalhava, na Tijuca, gravou um vídeo confirmando a demissão do professor

“Fiquei sabendo do que aconteceu com o professor Edson Souza e estou aqui para comunicar que ele está desligado dos quadros da Academia Delfim. Muito obrigado e peço desculpas”, disse o dono da academia, Gabriel Ribeiro.

A investigação

Segundo as investigações, Edson levava alunas adolescentes em roupas íntimas para pesagem em uma sala na academia Art Fighters, na Lapa, região Central do Rio. O lutador é fundador e líder do centro de treinamento.

De acordo com os investigadores, uma vez no recinto, Edson tocava as jovens de forma libidinosa durante sessões de massagens, esfregava o pênis nos corpos das meninas, dizia ter sonhos eróticos com elas, fazia propostas sexuais e pedia fotos das meninas nuas.

No relatório final da investigação, o delegado-titular da 5ª DP, Bruno Gilabert, afirma que Edson “prevalecia-se da ascendência que mantinha sobre as atletas para buscar a satisfação de sua libido, constrangendo-as ou importunando-as”.

“Esse caso chegou à delegacia por meio de comunicação de uma das vítimas, que era adolescente à época em que os supostos crimes aconteceram. Essa vítima completou 18 anos e, a partir da maior idade, ela teve a maturidade necessária para entender essa situação e reconhecê-la como um caso de abuso sexual”, disse o delegado.

Campeã mundial de Muay Thai, Fernanda Santos Ávila Rigueiro Barbosa, que atualmente tem 18 anos, foi a primeira jovem a procurar a delegacia.

Ela foi aluna de Edson dos 12 aos 15 anos, chegando a passar mais de oito horas por dias na academia. Em depoimento, a atleta contou que, em outubro de 2018, durante a quarta sessão de massagem, o professor se aproximou de sua genitália, nádegas e lateral dos seios e ficou com o pênis excitado.

Na ocasião, ela disse ter chorado e o professor, então, teria “atenuado o comportamento”, afirmando que queria apenas testar a vítima, pois outra pessoa poderia tentar fazer o mesmo com ela.

Yasmin Veiga da Cunha, que frequentou a academia entre 2015 e 2017, quando tinha entre 16 e 17 anos, disse que, ao fazer agachamentos, Edson se aproveitava para encostar em suas nádegas, para que ela sentisse seu pênis excitado. À época, ela relatou se sentir ameaçada, pois ele era seu mestre.

Clara Aguiar, que começou a treinar no local aos 17 anos, em 2015, disse que Edson lhe enviou mensagens pelo WhatsApp pedindo fotos nua, afirmando que se masturbava pensando nela.

“Minha esperança é fazer com que ele pague não só pelo o que fez comigo, mas também com outras vítimas”, disse Clara.

Defesa

A defesa de Edson Souza enviou uma nota:

“A defesa e a comunidade das artes marciais recebem com surpresa e indignação a notícia do indiciamento do Sr. Edson de Souza pela suposta prática de delitos contra a dignidade sexual de algumas de suas ex-alunas.

As comunicações dos supostos delitos ocorreram mais de 03 (três) anos após os alegados episódios. Uma das supostas vítimas participava normalmente dos treinos até maio de 2021. Não veio aos autos nenhum print das alegadas conversas inapropriadas. A única testemunha indicada pelas vítimas, ao ser intimado, negou ter presenciado qualquer comentário ou comportamento suspeito. A expectativa é de que o Ministério Público arquive o caso por falta de provas.

No entanto, se os fatos forem levados à Justiça, muitos outro(a)s aluno(a)s e professores que conviviam no mesmo ambiente de treinamento poderão testemunhar acerca do comportamento irrepreensível do professor. Aliás, são mais de 20 (vinte) anos consagrados ao esporte, vale dizer, muitos deles, como formador de atletas para competições de nível internacional, sem que, nunca, jamais, em tempo algum tivesse seu nome ventilado como alguém que abusava da sua posição.

Muito pelo contrário. O mestre Edson sempre se destacou na formação de crianças e jovens na comunidade onde mora tendo, por exemplo, a iniciativa de aparelhar um centro de treinamento popular para crianças de 6 (seis) a 12 (doze) anos.

Por orientação da defesa técnica, o Sr. Edson de Souza está afastado das atividades como professor de adolescentes até o esclarecimento dos fatos.

Por fim, a Defesa reitera que respeita as instituições e que o Sr. Edson de Souza sempre estará à disposição das Autoridades para prestar qualquer esclarecimento”.

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