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Suplente toma posse após vereador preso em operação que apura ‘rachadinha’ em Bauru pedir afastamento

O vereador eleito suplente nas últimas eleições municipais em Bauru (SP), Milton Sardin (PTB), tomou posse nesta sexta-feira (3) após o vereador do mesmo partido, Luiz Carlos Bastazini, o Carlinhos do PS, pedir afastamento do cargo. Carlinhos foi preso na última segunda-feira (29) em uma operação da Polícia Civil que apura corrupção, cooptação de eleitores e “rachadinha”.

A cerimônia de posse foi realizada nesta manhã na Câmara de Vereadores e Milton Sardin deve ocupar a cadeira deixada por Carlinhos até fevereiro do ano que vem. Sardin já foi vereador nas duas últimas legislaturas (2013 a 2020) e recebeu 1.446 votos nas eleições do ano passado.

Além da posse, também foi feita a exoneração de dois assessores diretos de Carlinhos, Luís Carlos Alves Júnior e Laércio Pereira, que também foram presos na operação.

A prisão temporária dos seis, que estão detidos na cadeia de Avaí, vence nesta sexta-feira e o delegado responsável pelo caso, Gláucio Eduardo Stocco solicitou a prorrogação por mais 5 dias.

As suspeitas são de que o vereador indicou os envolvidos aos cargos e em troca ficava com metade dos salários deles, prática conhecida como ‘rachadinha’, entre outras irregularidades, como favores a várias pessoas em troca de votos.

O delegado também confirmou que vai pedir à Justiça a quebra de sigilo bancário dos suspeitos. Além disso, Stocco representou pedido para que sejam doadas seis cestas básicas e vários medicamentos apreendidos na casa do vereador Carlinhos do PS.

Outra situação é em relação a vários materiais esportivos que também estavam com o vereador, como bolas, redes e uniformes. O delegado está levantando também porque o parlamentar tinha uniformes escolares da rede estadual de educação e da rede municipal de ensino da cidade de Guaratinguetá.

Pedido de afastamento

Segundo a advogada Daniela Rodrigueiro, que coordena a defesa do vereador Carlinhos do PS, o pedido de licença foi feito para “tirar qualquer dúvida da autoridade policial no sentido de que ele pudesse interferir nas investigações” e também para que ele possa cuidar da saúde. Segundo a advogada, o parlamentar tinha cirurgia agendada para o próximo dia 20.

Antes da decisão pelo afastamento, a defesa já havia tentado, com base na condição de saúde do vereador, a substituição da prisão temporária pela domiciliar, pedido que foi negado na tarde desta terça-feira (30).

Uma outra movimentação jurídica estudada, segundo informação da defesa do parlamentar, é pedir a revisão dessa última decisão ou ainda elaborar um pedido de habeas corpus.

Depoimentos

No âmbito da investigação policial, três vereadores da Câmara de Bauru (SP) foram intimados nesta quarta-feira pela Polícia Civil para prestar depoimento sobre o caso. Além disso, os ex-prefeito e vice, Clodoaldo Gazzetta (PSDB) e Toninho Gimenes também foram ouvidos.

Segundo a polícia, os vereadores Pastor Bira (Podemos), Chiara Ranieri (DEM) e Eduardo Borgo (PSL) foram chamados porque em discursos na tribuna teriam falado sobre situações que envolveriam as irregularidades cometidas pelo vereador investigado.

Chiara Ranieri e Pastor Bira já prestaram depoimento, mas os detalhes não foram revelados, já que o caso corre em segredo de Justiça. O depoimento de Eduardo Borgo foi remarcado para esta sexta-feira (3) às 14h.

Cooptação de eleitores e ‘rachadinha’

Na segunda-feira, foram cumpridos mandados por policiais da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic). Um deles na casa do parlamentar, onde os policiais encontraram R$ 63 mil em dinheiro, cestas básicas, contas de terceiros e uniformes de futebol.

Ainda segundo a polícia, o vereador tinha o cadastro de 20 mil bauruenses com os números dos títulos eleitorais. As investigações apontam que ele distribuía cestas básicas e chegava a pagar contas de água e luz em troca de votos. Carlinhos do PS está em seu quarto mandato do vereador.

O delegado explicou que as investigações começaram há cinco meses a partir de denúncias iniciais apresentadas pelo presidente da Emdurb, Luiz Carlos da Costa Valle. Segundo ele, Carlinhos teria cobrado a demissão dos servidores para novas contratações indicadas por ele.

“O presidente da Emdurb foi cobrado pelo vereador a partir do momento que o novo Poder Executivo assumiu. E todos os cargos em comissão foram cortados para serem recontratados, segundo o critério da nova administração”, explica o delegado.

Ainda segundo o delegado, a partir da denúncia, a Polícia Civil evidenciou que o vereador tinha direito a indicar cargos na Emdurb. Com a indicação e a conivência do Poder Executivo, o servidor ingressava no cargo e era obrigado a integrar a “rachadinha” do salário com o agente político, informou a polícia.

Durante as buscas na casa do vereador, a Polícia Civil descobriu uma lista de possíveis eleitores com o favor que cada um solicitou ao vereador, além dele indicar funcionários para cargos públicos.

Além do crime de “rachadinha”, os seis presos são suspeitos de organização criminosa, corrupção passiva, crime de concussão e corrupção eleitoral.

Movimentação na Câmara

O presidente da Câmara de Vereadores de Bauru, o vereador Marcos de Souza, o Markinho (PSDB) e consultor jurídico da casa, se reuniram com os responsáveis pela investigações para obter mais detalhes na terça-feira (30).

Já na quarta-feira (1º) a vereadora Estela Almagro (PT), presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, protocolou um requerimento pedindo a instauração de um procedimento dentro da comissão para apuração da conduta do vereador investigado.

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